A polêmica do ID de conteúdo

Saudações reais, galera. King de volta falando sobre toda essa polêmica do Youtube a respeito de produção cultural. Tem alguém certo nessa história? Tem alguém errado? Leia e não deixe de dar sua opinião.

Primeiramente, o que diabos é que está rolando no Youtube? Bom, pra começar, vamos entender a parte do Content ID.

O ID de Conteúdo (Content ID) nada mais é que um bot (diminutivo de robot, é um software que realiza uma ou mais tarefas que seriam repetitivas e estafantes ou, até mesmo, impossíveis para um ser humano) que verifica, todo santo dia, milhares de videos do Youtube buscando trechos de videos e músicas que sejam licenciados pelos proprietários deles, a fim de combater a quantidade absurda de pirataria que rola no próprio site (filmes e álbuns musicais completos, por exemplo). Se quiser entender mais, o Youtube disponibilizou uma página explicando melhor como funciona esse bot, podendo ser vista aqui.

Certo, mas o YouTube não está certo? Qual o problema disso? Bem, primeiro você pode discutir as próprias leis antipirataria americanas, mas assunto jurídico não é comigo. A grande questão é que o Content ID pega TODO TIPO DE VÍDEO e essa é a polêmica. Muitos videos de gameplay, alguns deles famosos e outros nem tanto, foram pegos na “malha fina” e vários ficaram indignados, como é o caso do AngryJoe, muito famoso nos EUA (video pode ser visto abaixo – em inglês).

Mas como assim ele foi pego? Não era ele jogando? O video deveria ser dele, não? Essa é a questão. O bot pega tudo porque ele ainda é só um bot. Ele não tem como julgar se aquilo que ele está marcando como “conteúdo roubado” é mesmo roubado. O maior exemplo disso é vídeos de GTA V que foram marcados por causa da música que rolam nas rádios do jogo. No próprio caso do AngryJoe, ele cita seu próprio vídeo em que entrevista um desenvolvedor de Tomb Raider, em que falam de Tomb Raider e que acabou sendo marcado por ser um video com conteúdo protegido de Tomb Raider.

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Pra colocar lenha na fogueira, algumas desenvolvedoras e publishers já demonstraram estar do lado dos youtubers. O maior caso é o da DeepSilver (Saints Row, Metro Last Light, Dead Island) mostrou todo seu apoio divulgando uma declaração, que pode ser lida aqui (em inglês). Abaixo, eu coloco um trecho traduzido pra vocês:

A DeepSilver não tem intenção de impedir jogadores que gostam de produzir conteúdo no YouTube com nossos jogos, nem queremos bloquear quaisquer vídeos desse tipo. Isso inclui gameplay, detonado, análise ou quaisquer outros videos editados ou comentados que são monetizados por um jogador.

Seja sua opinião do jogo positiva ou negativa, não é nosso direito enquanto publicadora de jogos infringir o seu direito básico de dar livremente sua opinião usando uma plataforma pública.

Por enquanto, isso não afeta muito os gamers, já que um vídeo marcado não significa que ele saiu ou vai sair do ar.  O problema é que o vídeo não pode mais ser monetizado enquanto essa marcação não for resolvida, ou seja, o youtuber não pode ganhar mais grana com aquele vídeo, o que, no caso de vários youtubers “grandes”, como o próprio AngryJoe, que largou emprego e dedica 70h semanais ao que faz, é um problema. Imagina você entrar no seu canal favorito e ver um vídeo desse jeito?

Eu, enquanto gamer, acho que não é porque isso não me afeta que eu não preciso reclamar. Primeiro, porque eu sei o quão complicado é largar tudo e tentar ganhar dinheiro com algo que você gosta de verdade. Além disso, também sigo alguns canais do YouTube, como o Leninja Mode e o Jovem Nerd, e sei o quão complicado é produzir conteúdo, seja diariamente e/ou por várias mídias diferentes, e viver disso.

contentIDTambém não posso dizer que o YouTube está errado, pois é uma forma – eficiente, inclusive – que encontrou de combater os milhares de vídeos que realmente fazem parte de pirataria. É mais fácil (e menos custoso) usar um bot e lidar com os casos mais tarde do que contratar centenas de pessoas para ficarem vendo vídeos o dia inteiro e analisando, caso a caso, se aquele conteúdo é pirataria ou não. Inclusive, um pronunciamento do YouTube segue mais ou menos essa linha: eles apenas explicam o que está acontecendo, o que é feito e conselhos para os novos produtores de conteúdo. Não põe a culpa em ninguém, assim como dá a entender que não acha errado o que está fazendo. É claro que teria raiva ao ver que um vídeo meu de um game que EU CRIEI e que foi MARCADO COMO COPYRIGHT me daria raiva, como noticiado pela Kotaku e visto no vídeo abaixo, mas eu entendo que é mais fácil tratar casos isolados do que examinar isoladamente TODOS OS VÍDEOS DO YOUTUBE.

Sou/quero ser um Youtuber, o que fazer então? Bom, você tem que pensar primeiro se você monetizar seus videos. Se não for sua intenção, tanto faz. Seus videos podem até ser marcados, mas não vão sair do ar e dificilmente vão ser bloqueados. Agora, se quiser ganhar dinheiro, o primeiro conselho é o que vários youtubers, publishers e o próprio YouTube dão: evite conteúdo com copyright. Quando for gravar seu jogo, coloque o volume da música no mudo, pra evitar problemas com copyright musical. Se for colocar vídeos, tenha preocupação também com os direitos autorais dele. É melhor procurar por um vídeo amador no YouTube que passe o que você quer do que usar algo de um filme e correr o risco de ser marcado. Quanto ao game em si, acho que não precisa se preocupar muito. Se até a nova geração de consoles permite que você grave e faça streaming do que você joga, esses vídeos estão mais para tendência do que para problema.