Data de lançamento de Batman Arkham Knight confirmada

Batman Arkham Knight e a cultura da pressa

Como se não bastasse ter sido adiado para 2015 e acabado com a esperança de pilotarmos o Batmóvel já em Outubro, a espera vai ser ainda maior do que pensávamos. Arkham Knight virá só no meio do ano que vem. Ai de mim se tivesse comprado em pré-venda…

O game foi divulgado no começo de 2014 com o trailer “Father to Son” e espera fechar com chave de ouro a trilogia Arkham, produzida pela Rocksteady, o que exclui o Arkham Origins (veja aqui a análise dele), feito pela WB Montreal. Na época, já era possível fazer a pré-venda do jogo, mesmo com o trailer dando pouquíssimos detalhes de como ele seria, o que ligou meu sinal de alerta já naquela época.

Hoje, foi revelada a data de lançamento, 2 de Junho de 2015, e, junto a isso, duas pré-vendas de edições limitadas do título. A primeira, Limited Edition, vem, entre outras coisas, com uma estátua foda do Batman, enquanto que a segunda, a Batmobile Edition, tem uma estátua do Batmóvel boladão. E aí me veio à mente aquele célebre ditado: “apressado come cru”.

Batman Arkham Knight Limited Edition

A Limited Edition traz, entre outras coisas, uma estátua bem bacana do Homem Morcego

No começo, fiquei triste por você, garoto sedento ou impaciente com tanta demora para o lançamento do final dessa saga. Imagino que deve estar se mordendo de raiva, principalmente se comprou ainda na revelação, no longínquo mês de Março, há um semestre atrás. Aí, fiquei triste por todos nós.

Quando vi que Arkham Knight só virá no meio do ano que vem, imediatamente lembrei do ótimo artigo Você não deveria pré-encomendar Alien: Isolation (ou qualquer outro jogo), de Ben Kuchera, para o site Polygon. Eu já o citei no Especial de Decepções da Gamescon 2014 (que você pode ler aqui),  quando falei da divulgação do DLC de Destiny antes mesmo de o game ter sido lançado. Lembro que, ao ler o texto de Kuchera, pensei que “tudo bem, os pontos são bons, mas tem algumas pré-vendas que são legais e não dá pra deixar passar”. A própria DLC de Alien: Isolation, exclusiva em pré-venda e que ele cita no texto, é bem interessante.

Mas quando você pára pra pensar, nota que boa parte das DLCs distribuídas como “exclusivas em pré-venda” acabam sendo disponibilizadas mais tarde para venda simples. Então, essa exclusividade, assim como a de Rise of Tomb Raider para Xbox, é temporária. Quando eu notei isso, comecei a me sentir meio enganado.

DLC de Harley Quinn

A DLC de Harley Quinn, disponível na pré-venda em Março

Aí, voltamos para essa questão do Arkham Knight. Se eu tivesse comprado previamente em Março, por exemplo, eu estaria  puto, e não somente por “perder” a oportunidade de comprar essas edições limitadas. Lógico, eu não perco totalmente porque ainda tenho a opção de comprar uma delas (ou ambas). Você também pode achar que não tenho tantos motivos para ficar com raiva, já que vários jogos por aí lançam essas edições, e eu poderia ter esperado mais. No entanto, a questão é que, em Março, eu esperava que fosse lançado em Outubro, ao contrário de mais de um ano depois.

Eu gosto de edições limitadas como opção de pré-venda porque, mesmo que você pague mais caro, não está pagando somente pelo jogo, mas pelos “brindes”, que são bem legais e compensam o investimento, até mais que comprar o próprio jogo. Eu ficaria bem feliz de ter, no caso, a estátua do Batman e do Batmóvel oferecidas. Na verdade, eu estaria pagando por elas e não pelo game em si. Porém, em Março, tudo o que eu tinha era uma DLC da Harley Quinn e um lançamento em Outubro.

Para piorar, Arkham Knight é um título sem grandes notícias pertinentes, daqueles que te convencem de que vale a pena comprar, seja antes ou depois do lançamento. Boa parte das informações que saíram por aí giram em torno do Batmóvel e, honestamente, eu não quero passar metade do tempo correndo com o carro por Gotham City (e sim, isso deve acontecer, como o lead animator do jogo confirmou, em entrevista para o canal Fatality, aí embaixo). Em suma, não é um game que eu espero muito, que me deixa ansioso e, sendo assim, não indico para uma compra antecipada. Ele terá de parar de desfilar com o Batmóvel pra todo lado e me trazer mais conteúdo para que eu dê uma chance e, por isso, provavelmente vou esperar por muitas análises por aí.

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Enfim, depois desse anúncio, eu realmente fiquei pensando se vale a pena comprar algum game antecipadamente. Será que devemos mesmo dar esse voto de confiança, essa colher de chá? Nossa impaciência, nossa ânsia por jogar um grande game nos trouxe essa cultura. Hoje em dia, beta já é distribuído praticamente como versão final, alfa é vendido como “jogo com acesso antecipado”, e é comum ver ambas as versões não saírem desse status. O que mais vimos esse ano foi grandes publicadoras e desenvolvedoras a brincar com datas de lançamento, quase sempre postergando e deixando todos aqueles que compram antes órfãos do seu próprio dinheiro.

Você pode até dizer que fazemos um investimento, mas você investiria em outro produto com tão poucas informações quanto as que essas empresas nos dão? Uniu-se em revolta junto às pessoas que doaram (ou investiram) grana para o desenvolvimento do Oculus Rift quando ele foi vendido ao Facebook? Quanto dinheiro você já “perdeu” em campanhas no Kickstarter que não vingaram ou não entregaram o prometido? Você doaria para um produto somente com nome e um vídeo no Catarse?

Sei que você provavelmente não resistirá a várias ofertas de pré-vendas que estão e surgirão ainda por muito tempo. Eu mesmo não vou. Dragon Age Inquisition, por exemplo, está na minha fila e comprarei ainda esse mês. Hoje, tenho a certeza de que nossa ânsia, nossa sede por querer algo nos torna cegos, presas fáceis. Torno minhas as palavras de Kuchera: isso não é marketing, é hostilidade ao consumidor. E somos coniventes com isso.