Batman Arkham Origins – Análise

O mais recente jogo da série é uma ode à repetição. Mesma mecânica, mesmo combate, mesmos equipamentos, até alguns vilões são os mesmos. O que muda é a história. E ela foi o suficiente pra mim.

Hoje, o texto será breve. E explico: porque não tem muito o que se falar. Falar da mecânica de Arkham Origins é falar da mecânica de Arkham City e Asylum, o mesmo acontece com o combate e com os equipamentos. Claro que existem algumas diferenças, mas são ínfimas o suficiente para nem serem citadas. Se você não é de dar muita atenção pra enredos dos jogos, você vai sentir deja vu do começo ao fim. É como jogar qualquer jogo anterior da série Arkham, o que, claro, pode nem ser uma coisa tão ruim, não é verdade?

batman-cover-artAntes mesmo de jogar o Origins, eu já havia conversado com um bom amigo meu, fã de Batman e, consequentemente, da série de games. Lá, a gente já tinha a ideia: o jogo não terá inovação. E foi com esse pensamento que eu parti para o game. E me diverti bastante. Como posso criticar a ótima mecânica e o combate do jogo por serem a mesma coisa? Em minha mente, não posso. Eles continuam sendo ótimos. Seria como criticar os Arkham anteriores e não posso fazer isso. O que critico aqui é pobreza de inovação, o risco evitado, a postura de “em time que está lucrando ganhando, não se mexe”.

Talvez a nova produtora tenha pensado: “vamos colocar inovações pontuais e graduais nos games da série. Se der certo, ótimo. Se não der, ainda temos a qualidade do jogo intacta”. No caso, a grande “inovação” do jogo, o risco que eles tomaram foi o lado detetive mais aflorado do homem-morcego nesse título. Os “case files” foram a tentativa de mostrar um Batman investigador, mas as sensações que passam são decepcionantes. A primeira sensação é de que Batman, e não você, é o detetive, visto que o jogador não precisa fazer NADA para concluir o caso. Nenhum jogo mental, nenhuma pista que exija um raciocínio, nada. Tudo se resolve com um “avançar e retroceder de vídeo”. A segunda impressão, e essa é tão ruim quanto a primeira, é de que a tecnologia, e não o Batman, é o grande detetive da história. Seu equipamento mostra trajetória de tiro, reconstituição total do crime, teste de DNA e tudo o mais. O Batman, assim como você, nem precisa pensar. Claro que a tecnologia sempre foi um fator influente em Batman e vários desses elementos já vimos nos quadrinhos e filmes, mas, sendo essa uma tentativa de mostrar o “maior detetive do mundo” em ação, dá mais a entender de que ele recebe esse título por ser rico, ao invés do mérito de ser muitíssimo inteligente.

deathstroke

Assim como Mulher Gato e Robin no Arkham City, Deathstroke é um personagem jogável, pra quem comprou na pré-venda.

Arkham Origins também é o primeiro da franquia a ter uma versão multiplayer, mas, sendo honesto, não é tão empolgante assim. Os jogadores se dividem entre o time do Coringa, o time do Bane e o time dos “heróis”, onde um será o Batman. É uma espécie de “conquest”, onde seus objetivos enquanto vilão são capturar as bases, proteger as já capturadas e matar os adversários, enquanto que, como herói, você deve evitar que as bases sejam capturadas e acabar com os vilões. Porém, o próprio modo tem seus problemas. Primeiro, o jogo só começa quando tem oito pessoas, o que me fez perder um pouco a paciência, já que demorava a aparecer gente pra jogar. Segundo, porque a mira não é tão precisa e, às vezes, a gente acaba gastando um pente inteiro pensando que acertou todos os tiros e fica pensando como o diabo do inimigo ainda não morreu mas, na verdade, a gente errou mais do que acertou. Além disso, o herói é incrivelmente tão papel quanto os outros, morrendo facilmente. Terceiro, só um modo de jogo acaba ficando repetitivo, por mais variação de mapa que tenha (e só tem 5). No cômputo geral, dá mais a impressão de que enfiaram o modo multiplayer no jogo porque todo jogo tem multiplayer hoje em dia.

Mas (e eu enfatizo o mas) eu gostei do jogo. Gostei mais do que pensaria, por sinal. “Você detonou tanto o jogo e agora vem dizer que gostou, King? Tá maluco?”, você pode dizer. Sim, gostei, porque a estória me agradou. Situações como a construção da confiança entre o homem-morcego e o ainda capitão Gordon, a primeira conversa com Barbara Gordon, o diálogo com o Coringa que cativou Harleen Quinzel, a preocupação de Alfred com seu protegido… são coisas que me agradaram bastante e me ajudaram a tirar a ideia de “mais do mesmo” do jogo. Claro que até o enredo tem certas “falhas” que não me agradaram tanto, como o Coringa chamando toda a atenção e sendo, mais uma vez, o supervilão que acaba por ofuscar os outros, assim como nos outros jogos, mas eu fiquei bem contente com o resultado final.

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Um dos pontos fortes do game é o diálogo entre o Coringa e Harleen Quinzel.

Por fim, reitero. Não posso dizer que o game é ruim. Seria como dizer que os outros games são ruim, sendo que não o são.  Achar algo que te surpreenda? Acho difícil. A falta de inovação é ruim, MUITO ruim, mas você acabar contente com o jogo, como eu fiquei.

Nota: 7,5

Crítica especializada: 7, 8 (IGN), 6 (Gamespot), 8 (Videogamer Portugal), 8 (Brasil Gamer)