Análise do filme Free to Play

Free to Play: the movie – Análise

Galera, que tal falar de algo diferente? Não sou um especialista em cinema, mas hoje vou fazer um review especial pra vocês: o filme feito pela Valve, Free to Play. Quem topa vir comigo nessa análise?

Antes de mais nada, não sou cinéfilo ou crítico de cinema, então vou evitar falar de coisas mais técnicas aqui. Também não pretendo dar tantos detalhes da história nem spoilers, então fiquem tranquilos quanto a isso. E vocês, tratem de perdoar minhas gafes cinematográficas, ok? 😀

Free to Play saiu no último dia 19 na Steam e se mostrou uma empreitada muito bem sucedida da Valve. Apenas em seu canal oficial do YouTube, o vídeo já possui mais de 1 milhão de visualizações, sem contar o número de downloads feitos dentro da plataforma de jogos e as visualizações do evento no Twitch que a empresa fez no dia de lançamento, mostrando o filme na íntegra via streaming pra que o pessoal pudesse ver o filme juntos (o que foi uma atitude bem bacana).

Arte de capa do filme

Arte de capa do filme

O documentário é centrado no campeonato de DotA 2 International de 2011, que ganhou destaque mundial pela incrível premiação de $1,6 milhão de dólares. O evento é considerado um marco no mundo do eSports, pois não havia muitos torneios com grandes premiações e a jogatina ainda era comumente vista como diversão e não como um esporte em si. Com o torneio e sua visibilidade estrondosa (afinal, com esses valores, o evento facilmente chamou a atenção de todo o mundo), o crescimento do esporte foi inevitável. Mas o foco aqui não é exatamente a competição e sim os competidores.

Temos três personagens principais, embora muitos outros apareçam para contribuir, como Jeremy Lin, jogador da NBA,  e James Harding, bem conhecido no cenário do eSports. Mas “Dendi”, “Fear” e “Hyhy” (nicks consagrados nesse cenário) são os destaques aqui, cada um com sua história, seus problemas e suas motivações, mas todos centrados em atingir seus objetivos.

O jogador da NBA Jeremy Lin

Jeremy Lin é um dos vários convidados do filme que debatem sobre o game e o eSports em geral

É interessante ver a luta dos jogadores para esquecer suas tristezas e angústias e focar-se inteiramente em seus times e campeonatos. Na verdade, às vezes, dá a entender que eles se voltaram para o jogo como uma forma de escapar das frustrações que a vida lhes deu. O pai de Clinton “Fear” Loomis abandonou ele e a família e, mais tarde, sua mãe o expulsou de casa. Benedict “Hyhy” Lim tem uma família que cobra demais da educação e vê no DotA a razão para a queda de rendimento dele nesse quesito. Danil “Dendi” Ishutin perdeu seu pai para um câncer.

O lado dos pais deles também é retratado esplendidamente. Você compreende facilmente a razão de toda a apreensão e lamentação deles, mas também entende o lado dos jogadores. Todos eles têm uma história complicada, mas lutam para alcançar o título de campeão mundial de DotA 2.

Alguns de vocês podem acabar achando o filme “sentimental demais”. Confesso que até eu achei certas partes desnecessárias, por assim dizer, como a relação de “Hyhy” com a ex-namorada, mas tudo é exibido com uma lógica, então acaba te ajudando a entender várias das motivações dos três atletas. Além disso, esse “sentimentalismo” é equilibrado com cortes bem feitos e depoimentos de outros jogadores e celebridades do eSports.

O foco inicial no “Fear” e no “Hyhy” me incomodou um pouco, até porque inicialmente mostraram o “Dendi” como um ótimo e descontraído jogador, mas meio desleixado ou por vezes irresponsável. Você acaba “torcendo” mais para os dois primeiros (mesmo que a gente já saiba o final) e deixa o coitado do último um pouco de lado. Somente perto do final, você entende um pouco mais do lado do jogador.

Danil "Dendi" Ishutin

Danil “Dendi” Ishutin e seu time Na’vi

No entanto, o filme ajuda a mostrar muito do que há por trás do esporte e dos seus campeonatos. Exibe a total valorização e o nacionalismo do povo chinês, sendo eles considerados os times mais fortes e favoritíssimos até então, enquanto existem casos, como os do “Fear”, que vive num país ainda “emergente” no eSports na época e tinha que regular sua vida para ser um profissional de um time europeu.

Também nos ajuda a perceber a real vida de um jogador profissional. Com exceção dos países asiáticos, não existia o glamour que atualmente há (ou achamos que há) na vida deles. A vida era difícil e conflitos de relacionamentos, sejam familiares ou amorosos, eram costumeiros. Mais do que estrelas, ainda são humanos, com seus acertos e falhas.

Nós, gamers, temos no Free to Play uma oportunidade de conhecer e entender como começou e o que há por trás dos torneios, times e jogadores profissionais. Para os não-gamers, é uma oportunidade de compreender melhor nossa paixão e nossas motivações. Para todos nós, é uma oportunidade de aprender. Aprender o que é realmente importante pra nós e porque lutamos por essas metas. Aprender que, mesmo que a gente tente, ainda podemos fracassar. Por fim, aprender o valor de um sonho realizado.

E, afinal, por que não lutar por um sonho? 😉

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