Hora de baratear!

HoNWoW

Um novo tempo está chegando, um tempo que todos sonhávamos, especialmente nós, brasileiros. O tempo em que finalmente poderemos jogar aqueles títulos divertidos por preços menos exorbitantes (menos exorbitantes é diferente de baratos).

A primeira onda é o game Free 2 Play, que são jogos que foram lançados (ou ficaram assim no meio do caminho) “livres para jogar”, ou seja, não precisa pagar para jogar. Jogos assim geralmente surgiam quando eram lançados com nenhuma ou pouca pretensão, não querendo concorrer com os grandes títulos. Infelizmente, esses nunca foram muito especiais (ao meu ver), pois sempre faltava um quê a mais na diversão ou jogabilidade. São divertidos, mas seu fator replay não é alto.

Todavia, games mais promissores e com maiores pretensões estão se tornando F2P. A concorrência com grandes títulos virou uma nova ambição, proporcionando uma maior qualidade para esses. Foi dessa forma que jogos como Champions Online (tentando pegar um mercado que o alto valor de DC Universe Online não consegue pegar) ou Heroes of Newerth (acirrando a concorrência direta com o famoso DotA) tornaram-se Free 2 Play, além de outros títulos que colocam suas versões multiplayer disponíveis. Esses jogos também “forçam” os novos jogos que também têm a pretensão do F2P a surgirem com maior qualidade, seja gráfica, em jogabilidade e/ou em diversão.

Mas por que eu simplesmente não os chama de “gratuitos”? Eu considero gratuito aquele jogo que você não paga nada e tem liberdade total no jogo, e um Free 2 Play não é assim. Você o acessa gratuitamente, mas diversas vantagens são dadas a quem paga, seja por itens, armas, heróis ou pelo próprio jogo em si. Não estou dizendo que considero isso errado; pelo contrário. Um game envolve muito esforço e dedicação e merece ser recompensado por isso. O que estou dizendo é que essas vantagens a quem paga tornam o jogo um tanto desbalanceado; pessoas com dinheiro têm heróis mais fortes, com equipamentos mais poderosos e etc. Então, não posso considerar gratuito títulos cujos itens não estão disponíveis a todos.

Esse efeito também afeta os “intocáveis”. O MMO pago mais jogado do mundo World of Warcraft já anunciou que virá para o Brasil com preços bem módicos, com R$15 a mensalidade. A estratégia de expandir os horizontes da empresa, englobando o mercado nacional, que já gasta o dobro ou até o triplo disso por mês, também deve dobrar ou triplicar em números, pegando também os jogadores F2P brasileiros e brecando um pouco o avanço desses títulos em mercados emergentes e bastante promissores. Afinal, competir com uma gigante desse porte é sempre complicado.

Mas esse eixo também está balançando também as fabricantes de aparelhos. O corte nos preços do Nintendo 3DS já tem dado bons resultados, e arrasta, dessa forma, a venda dos softwares.  A Ubisoft, por exemplo, anunciou na Gamescon que o barateamento do aparelho afetou também as vendas de títulos da desenvolvedora, o que proporciona uma maior “união” entre as fabricantes. A Sony também fez uma “promoção” (que deve encerrar dia 30 de agosto) que abaixa o valor do PS3 no mercado brasileiro de R$1500 para R$1300 (versão de 160GB), e revelou há poucos dias que o valor do PS3 cai de $299 para $249.

Isso tudo tende a virar um “ciclo” do mercado. Consoles ficam mais baratos e vendem mais. Ao vender mais, mais títulos podem ser comprados, possibilitando a produção de novos e melhores títulos, com novas tecnologias, acarretando em uma evolução também dos equipamentos. Além disso, faz com que novos jogos e desenvolvedoras surjam com o objetivo de competir com os grandes e, embora nem sempre consigam brigar, ainda conseguem fazer jogos de qualidade, que podem ou não virar F2P para atingir um mercado maior. Ao virar F2P, outros jogos que são montados para seguir essa filosofia precisam ser melhorados para competir mais forte e saem com mais qualidade. Jogos F2P podem até desbancar alguns jogos pagos, fazendo com que esses fiquem mais baratos e outros jogos sigam essa filosofia para não perder o poderio no mercado, e por aí vai. Como eu disse, isso TENDE a virar um ciclo; não é uma regra. Porém, ao menos um pouco disso vira verdade e proporciona a todos nós a possibilidade um pouco mais real de termos finalmente um mercado mais barato e competitivo no ramo dos jogos e consoles.

Então, fabricantes de equipamentos e desenvolvedoras de jogos, notem o crescimento do Free 2 Play. Apoiem a disputa de mercado. Barateiem seus produtos. Nós, gamers, agradeceremos (e compraremos) MUITO.

Comments

  1. acho o mercado free 2 play lindo…so que, como aconteceu com team fortress 2, eles liberaram para a geral, com alguns “poréns”, os “veterans”, que pagaram pelo jogo…tem exclusividade em alguns server, alguns itens não podem ser craftados por jogadores free e mais um monte de coisa…

    uma coisa que todo free2play investe, um mini mercado interno, seja pra comprar itens,skins, chapéus malucos sem utilidade e/ou até personagens jogaveis (como acontece na maioria dos RTS) e é dai que a maioria das desenvolvedoras tira um bom lucro, pq se vc não quer comprar o nosso jogo com a prerrogativa que não consegue “doar” 30-40 dolares em um jogo…tudo bem…agora vamos fazer vc comprar 200 dolares na nossa loja…gastando 1 dolar por semana.

    sou a favor do free to play em alguns jogos…outros realmente não faz sentido vc abrir um free to play e tentar pagar os gastos com gadgets inuteis (portal 2 por exemplo) e vamos lá ver o que a Valve e a Steam vão fazer com o DotA 2…será que vai ser free??? I HIGHLY DOUBT IT!

  2. Cara, o melhor exemplo de free 2 play aplicado que eu já vi foi em League of Legends (outro tipo Aeon of Strife, Multiplayer Online Battle Arena, ou como queira chamar), onde a parte paga do jogo interfere apenas em aspectos que não desbalanciaram uma partida qualquer do jogo. O fato é que os benefícios de quem paga resumem-se apenas a acelerar o acesso de heróis, e outros itens do jogo etc. (que não são diferentes em níveis de poder, comparando com os heróis disponíveis toda semana, ou aqueles que o jogador adquire com pontos do próprio jogo), além das skins e outras bagaças “vanity” (estas sim, são exclusivas dos pagantes).
    Fora isso, também aguardo saber destes detalhes do DotA 2, pra ver se vale a pena.