Banner Saga Review

The Banner Saga – Análise

Embora os jogos indies não tenham toda a badalação e publicidade dos grandes “Triple A” (por razões simples), sua safra atual vêm sendo destacada com grandes títulos, dignos de pôr esses jogos de grande orçamento no chinelo. É só percebermos a presença constante desse cenário independente nas grandes premiações de games atualmente (Journey, por exemplo, teve até indicação ao Grammy). The Banner Saga aparece como mais um bom jogo dessa safra.

Antes de tudo, deixe-me expor o seguinte: The Banner Saga não é elétrico. Pelo contrário. É um game paradão, com muito texto e um combate baseado em turnos. No entanto,  muito do charme do jogo está no quanto você se envolve, pois ele faz com que você se importe com cada ato seu.

A história do jogo é fundada em uma temática viking, onde humanos e gigantes (chamados aqui de varl) coexistem em uma paz branda e, até mesmo, tênue. Embora os varl sejam, em sua natureza, criaturas que preferem viver isoladamente, eles interagem com os humanos pacificamente, mas isso não quer dizer que eles se importam, como é perceptível em várias conversas entre os gigantes. Embora o game passe uma ideia inicial de que o confronto é entre todos eles e os Dredge (criaturas que objetivam acabar com as duas raças), a temática fundamental do game é apenas uma: suas decisões.

Essas decisões  afetam a curto e longo prazo vários aspectos do jogo, como moral, recursos e guerreiros. Algumas trazem resultados frustrantes e outras boas recompensas, mas a satisfação de que você tem influência direta na história de The Banner Saga é o ponto mais atraente dele, mas não somente.

A arte, por exemplo, é linda e envolvente, com personagens coloridos contrastando um pouco com um cenário sempre claro de neve e a claridade de um sol que nunca se põe. O traço dos personagens me remetem ao clássico Dragon’s Lair, mas há um tom mais pesado e austero, passando um clima de tensão. Quando olho Rook e Eyvind, sinto um clima de alguém que carrega um grande peso com tanta responsabilidade e alguém que está cansado e preocupado, respectivamente. Os cenários, embora de ótima qualidade, dão, por vezes, uma sensação de déjà vu, como se aquela parte tivesse sido reaproveitada. Às vezes, também, acaba sendo cansativo sempre olhar para um cenário parecido com pessoas andando incessantemente, mas isso meio que ajuda a transmitir ao jogador a mesma sensação daquelas pessoas.

Belos cenários de Banner Saga

A arte do game é belíssima, com traços fortes e envolventes, mas alguns cenários parecem repetidos.

O combate é outro atrativo. Usando um sistema baseado em turnos, a la Might and Magic e Final Fantasy Tactics, as batalhas são bem interessantes, mas não são tão desafiadoras, conforme você pega o ritmo e aprende melhor as habilidades de cada personagem. Além disso, os elementos são simples (barra azul = armadura, barra vermelha = vida = poder de ataque), de modo que te ajuda a se concentrar mais na estratégia de batalha. Existe um modo especial de combate, a Guerra, que acontece quando dois exércitos encontram-se e você deve adotar uma estratégia de batalha para vencer. Ela define, por exemplo, se você enfrentará seus inimigos em campo de batalha e pode afetar quantos deles estarão presentes no seu combate. Honestamente, não achei tão enriquecedor enquanto mérito ao enfrentamento, mas foi uma forma interessante de transmitir a ideia de que a sua caravana de mil guerreiros tem influencia na sua viagem.

Viagem essa que percorre um pequeno trecho de um mapa muito grande, mas pouco influenciável em sua andança. Você dificilmente vai clicar no botão de “mapa”, porque ele realmente não afeta em nada. Embora ele dê várias descrições de cidades e regiões, ele ajuda a deixar o mundo um pouco mais imersivo, mas dá uma sensação de que tudo aquilo poderia ter sido mais explorado.

Longa caminhada

Uma longa e cansativa caminhada tem presença constante no jogo. Aprenda a lidar com seus recursos.

O som, no entanto, é um toque a mais em The Banner Saga. A música faz você mergulhar em toda a cansativa viagem e te envolve de forma bem interessante. Os efeitos sonoros são bem aplicados; nada de muito destaque, até porque o game não envolve grandes variações de armas e cenários. Não há, no entanto, falas aqui.

Todos os diálogos do jogo são em modo texto e alguns deles ainda são desnecessários, na minha opinião. São diálogos com personagens secundários ou terciários, que aparecem muito pouco na história e/ou não são cativantes. As animações dos personagens também são mínimas, como mudança de olhares ou posições de cabeça, de modo que o foco acaba ficando mesmo no texto.

Poucas animações e muitas expressões

Com pouquíssimas animações e ainda menos falas, o jogo transmite a história com textos, traços e expressões.

Por fim, o jogo tem cerca de 10 horas de duração. É um jogo divertido, mas pequeno. O jogo, no entanto, tem momentos que parece que horas passaram em minutos e momentos em que acontecia o oposto. No entanto, essa última parte não é tão corriqueira e o jogo acaba por desenvolver-se bem nesse tempo.

Custo x Benefício

O jogo custa, até o momento em que escrevo, R$44,99 na Steam. Por um lado, é um preço razoável, considerando que é um bom jogo e que é um lançamento, mas pode pesar um pouco, por ser mais caro que a média de preço de jogos indie e por ter apenas 10 horas de jogo.

No entanto, o valor de replay dele supera esse tempo, pois ele é um jogo imersivo e você deve querer ver como seria se tivesse escolhido essa ou aquela decisão de uma forma diferente. Além disso, Janeiro costuma ser pobre com relação a lançamentos e, sem sombra de dúvidas, The Banner Saga supera vários deles (até porque, em sua maioria, foram relançamentos – você pode ver os principais lançamentos de Janeiro aqui).

Sendo assim, The Banner Saga é um game que você pode comprar sem muito medo, mesmo tendo um preço acima do padrão indie, desde que você goste do gênero. Se você prefere um game mais agitado, com mais ação, talvez seja melhor você testar na casa de um amigo antes de investir nele.

Banner Saga Nota