Análise de The Sims 4

The Sims 4 (ou 2 e meio)

The Sims 4 foi lançado com muita esperança por parte dos fãs da série. Várias inovações foram prometidas, inclusive um novo sistema de emoções, que daria uma maior identidade aos Sims. Entretanto, o game não parece tão diferente assim.

Obviamente, não dá deixar de comparar esse novo título com seus anteriores. The Sims 4 continua com suas características marcantes do seu simulador de vida, como as aspirações e traços, que foram melhorados para dar vida à grande revolução do jogo: a personalidade.

Agora, os sims são guiados pelos seus sentimentos de tristeza, felicidade ou animação, e afetam sua evolução. Habilidades, como escrita ou cozinhar, são mais fáceis de evoluírem quando eles estão Inspirados, enquanto relações amorosas, como dar uma cantada, são mais efetivas quando se está Paquerador. Essa influência na sua jogabilidade é, sem dúvidas, um grande adendo à franquia, pois te dá uma forma diferente de jogar, com um foco maior na socialização.

Esses sentimentos também habilitam novas interações, como cozinhar biscoitos que aumentam a paquera e quadros que dão confiança. Isso significa, infelizmente, que as possibilidades de você ter sentimentos negativos é baixa. A menos que seu sim veja um amigo morrer ou deixe que sua fome fome ou sono, por exemplo, diminuam muito, você não vai ter grandes dificuldades em mantê-lo sempre bem. Pra facilitar, as necessidades não caem tão rapidamente.

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Mesmo menu, nova interface. Maior destaque para o Sim e suas emoções.

Outra coisa aprimorada dos jogos anteriores é a interface. As opções da franquia, que já conhecemos há tantos anos, continuam lá, mas em menus nos cantos da tela, de modo que o personagem tem um foco bem maior do que aquela barra azul grande aberta, sempre aberta para monitorar tudo. Os ícones do status que mais merece atenção no momento é mostrado, em amarelo ou vermelho, sem que você precise acessar o menu para descobrir o que está acontecendo. Essa nova interface permite que você mantenha um foco bem maior no que o seu sim está fazendo de verdade, ao invés de manter os olhos nos status.

Por falar em focar no que os sims fazem, eles finalmente são multitarefas, ou seja, podem fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Agora, eles podem comer e ver TV, conversar com vários sims ao mesmo tempos ou ler no banheiro. Assim, você pode controlar várias necessidades sem muito esforço, e isso também contribui um pouco para o nível mais fácil de jogabilidade, mas certamente é uma ótima mudança.

A criação de personagens e de construção também melhorou. Há mais opções para modelar o sim que você sempre quis, e de maneira mais fácil. Com o mouse, você aumenta busto, barriga, bumbum, perna, angulação de sobrancelhas, tudo de forma de bem fácil, perfeito pra quem gosta de brincar de criar vários modelos. Somado a isso, podemos fazer modificações drásticas no sim baseado no estilo da roupa. Tipo e cor de cabelo, acessórios e maquiagem do estilo formal podem ser totalmente diferentes da sua indumentária para a baladinha. No entanto, o número de traços foi reduzido (somente quatro, contando com o de aspiração, ao contrário dos cinco de The Sim 3, que podiam virar seis, com a expansão Vida Universitária) e não existe um sistema de customização de roupas, como o que tínhamos no título anterior.

Mais opções e mais facilidade para criar seu sim, mas sem customizar roupas

Mais opções e mais facilidade para criar seu sim, mas nada de customizar roupas

A construção de casas não mudou tanto (time que está ganhando não se mexe), mas várias opções foram adicionadas, como modelos de cômodos, com ou sem mobília, para que você apenas deixe do seu jeito, mas também traz várias opções para quem prefere criar a casa do zero, como vários tamanhos de portas, mudança da posição das janelas (elas não têm mais uma posição específica) e até mover sua casa para outro terreno. Essas adições dão mais liberdade para os criadores, sejam eles ávidos ou mais preguiçosos.

Além disso, suas criações, sejam sims, cômodos ou casas inteiras podem agora ser compartilhadas, graças à nova Galeria do game. Em uma rápida pesquisada, você encontra coisas bem legais, criadas por outros jogadores e que você pode usar.

Mas nem tudo são flores no game. Uma das coisas mais legais de The Sims 3 era a cidade. De como você podia sair de casa, andar por aí, em seu carro ou sua bicicleta, e comprar comida, ir ao cinema ou ao estádio. Isso foi tirado em The Sims 4. Agora, você tem que migrar entre blocos, com uma porcaria de uma tela de loading no meio.  Aliás, mesmo que você saia de uma casa para outra, no mesmo bloco, tem o carregamento nessa “viagem”. Claro que o terceiro game da série tinha seus problemas com o “mundo aberto”, como lugares isolados, mas navegar pelo mapa dava uma sensação boa de liberdade; eu me sentia instigado a sair de casa, ir ver o mundo e socializar. Nesse novo título, nem podemos mais ter carros. Vamos para o trabalho a pé!

Outro ponto negativo é que, como dito anteriormente, o jogo está mais fácil, graças, por exemplo, ao pequeno, mas significativo, boost de aprendizado que você ganha a partir de seu humor. Dois quadros com aura de confiança (que você pode pintar enquanto estiver com o sentimento) em sua casa e vai ser bem difícil a tristeza aparecer. Não há grandes mudanças na mecânica de trabalho – é só cumprir as tarefas designadas, como sempre -, mas essa facilidade em aumentar habilidades também te auxilia a crescer profissional e emocionalmente, visto que as aspirações agora evoluem como um emprego (mudança essa que achei interessante).

Mapa em The Sims 4

Para todo lugar que vamos, uma tela de loading. E sem carro.

Igualmente decepcionante é a impossibilidade de visualizar seu sim enquanto trabalha, não apenas fisicamente, mas também todos os menus de personagem. Não dá pra ver como você estava na carreira, seus status pessoais e nem mesmo seu inventário. Do mesmo jeito que não podemos controlá-lo, também não podemos olhar como estão as outras áreas da cidade, o que antes te possibilitava ver algumas oportunidades.

E já que falamos tanto de como esses detalhes afetam o trabalho, por que não falar do trabalho em si? Agora há duas opções para cada carreira, mas você ainda tem que evoluir por somente um ramo até que apareça a possibilidade de se “especializar”. Para ser um esportista eletrônico, por exemplo, o sim precisa crescer no ramo da programação até poder mudar sua escolha e ganhar dinheiro com aquilo que você queria tanto pra ele desde o começo. Um ponto positivo dessa evolução é o desbloqueio de itens únicos e novas interações da profissão, como uma poltrona para escritores ou jogos únicos para o seu sim gamer.

Pra completar, a surpresa (e a frustração) de ser roubado não existe mais. Não que alguém gostasse de fato de um ladrão entrar na sua casa e levar seu item que custou uma grana preta, mas a surpresa fazia você valorizar mais o item e o esforço de comprá-lo. Não é à toa que o alarme antifurto era presença garantida em toda casa que você fazia, não é? No entanto, ele nem existe nessa versão.

Por fim, meu sentimento é de que The Sims 4 continua com a essência divertida da franquia, mas com dois problemas bem sérios. Ele parece um retrocesso, meio que um The Sims 2.5, com algumas melhorias, mas que deixa de lado várias coisas legais, como a cidade e o que ela representa para seu personagem. Também parece como se algumas dessas coisas tivessem sido privadas de serem colocadas, para virarem conteúdo de DLC. Claro que os problemas parecem bem maiores por estarmos comparando o título com seus predecessores, e, se esse é o primeiro da franquia que você vai ou está jogando, você provavelmente vai curtir muito. Mas, quando você tem o The Sims 2 e, principalmente, o 3 no seu histórico, essa nova obra não parece nada nova.